Podia começar por falar no quanto gosto de ti, no quanto penso em ti ou até mesmo, no número de vezes que passo por ti e não te encontro.
Podia fazer textos, artigos ou até mesmo escrever um livro… sobre ti, sobre nós ou até mesmo sobre como acordas com esse teu jeito preguiçoso bonito que me faz querer adormecer todos os dias a teu lado só para o poder apreciar vezes sem conta.
Segunda-feira foi a última vez que te vi acordar, saíste para o trabalho e não te vi entrar. Desde então, estou perdida e sem direção, procuro a tua presença em todas as pegadas que encontro no chão.
Hoje trouxe-te comigo no comboio, está frio lá fora e embora esteja a ferver por dentro é o calor do teu beijo, o calor do desejo que me leva a ti, aquece-me os pensamentos e afoga a mágoa que é estar aqui sem ti.
Amo-te da mesma maneira que me perdi e me reencontrei no dia em que te vi.
Penso em tudo o que tenho e o que quero ser, penso no que me resta e no que tenho para viver. No meio de tanto pensamento pergunto-me se algum dia vais voltar, porque "se existir vida para além de ti, então não sei o que é amar".
Hoje comprei o teu chocolate preferido e ouvi todas as tuas músicas, procurei-te por todas as ruínhas e ruelas, por todas as portas e janelas e tudo o que encontrei foi a tua ausência refletida em cada lágrima que me percorre o rosto.
Se o amor és tu e a vida somos nós, "quanto tempo terei de esperar para ficarmos, enfim, sós?"
Arrumo a minha bagagem e todos os pensamentos que trago comigo, saio do comboio e peço-te se regressares traz-me contigo, porque estou perdida e sem direção. Procuro a tua presença em todas as pegadas que encontro no chão.


