Hoje passei por ti e parou-me o coração. Por segundos senti um frio enorme dentro do peito, porque pela primeira vez em meses eu vi-te e, desta vez, sei que também me viste.
A verdade é que tento escrever-te todos os dias. Tenho tanto para te dizer, mas quando chega a altura de falar sinto-me pequena e sem voz. Sinto-me impotente e incapaz de dizer o que quer que seja sem pensar na falta que me fazes e no quanto me custa seguir caminho sabendo que o meu passo não acompanha o teu.
Sempre acreditei que o "nós" seria eterno, ou pelo menos até um dos dois partir. Sempre acreditei que o nós não seríamos só nós dois. Imaginei-me vestida de branco e de mãos dadas com aqueles que um dia chamaríamos de filhos.
Hoje, de forma mais consciente, vou tentando normalizar a tua ausência com dias longos para que possa chegar a casa e finalmente descansar sem ter de rever, repetidamente, tudo aquilo que ficou por dizer. Tudo aquilo que por coragem ou cobardia levo comigo para onde que quer que vá.
Gostaria de dizer-te obrigada. Obrigada por me teres mostrado que amar é muito mais que um verbo. Amar é ficar feliz por estares bem, mesmo que isso implique não te ter por perto. Amar é cozinhar o teu prato favorito sem ter os ingredientes certos. Amar é estar onde tu estás. Amar é comprar as tuas bolachas preferidas e sair da loja sem ter o que precisava. Amar é saber que não tenho sono e ficar na cama só para poder ver-te dormir.
Amar é muito mais que ter-te perto. Amar-te é passar pela tua casa todos os dias só para saber que estás em segurança. Amar é ver-te entrar num carro que não é teu, com uma rapariga que não sou eu e ainda assim fazer o mesmo percurso todos os dias só para saber que estás bem.
Amar-te é ficar feliz porque compraste um carro, mesmo sabendo que era aquele com o qual tínhamos planos de futuro.
Amar-te é escrever-te este texto sabendo que nunca o irás ler, mas eu amo-te e disso eu não me consigo esquecer.


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