domingo, 13 de novembro de 2016



Já anoiteceu. Ainda é cedo, mas o céu já se pôs brilhante para iluminar aqueles que se atrevem a sair à rua numa noite de domingo.
Eu fui uma das corajosas que decidiu trocar o pijama quente de inverno pelos saltos negros e o casaco de todas-as-estações.
As ruas estão desertas. O único ruído percetível é o dos meus sapatos cada vez que cumprimentam a calçada ao ritmo pausado da minha respiração.
Já passaram quinze minutos. Decidi sentar-me. Curiosamente num banco rodeado por cinco palmeiras que vão abafando a aragem fria de inverno que me congela o rosto.
Olho para o céu brilhante, fito uma lua luminosa e nela fixo o meu pensamento vazio.
Depois de cinco minutos a louvá-la consigo ver-te ali, mesmo à minha frente...com o teu olhar meigo e penetrante. O teu sorriso. Ó meu deus, como é bonito esse sorriso inocente de quem ama! As tuas feições perfeitamente delineadas por cada pedaço de barba negra que te preenche o rosto. Que imagem deliciosa!
Como é bom voltar a ver-te. Disse eu.
Depois dos cinco minutos mais reais que alguma vez tive, dou por mim a piscar os olhos pela primeira vez desde que te vi. 
E é quando sinto a primeira lágrima a percorrer-me o rosto congelado pela aragem fria de inverno.
Levanto-me, fixo o céu uma última vez e sorrio, porque sei que a lua que nos separa é a mesma que me faz lembrar de ti.

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